Vicissitudes de uma miopia progressiva


E sobre rever o modo como usamos lentes de contato

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“(…) Sou míope. Míope de nascença. O mais recente exame de refração detectou – 19.75 na minha vista esquerda e – 6.25 na direita. Por razões distintas nenhum dos olhos pode ser submetido a uma cirurgia de redução de grau.
Pois eis que, no início de agosto, num descuido no manuseio de uma lente de contato gelatinosa, acabei machucando seriamente meu olho direito. Ter sido atendida numa emergência oftalmológica foi o que evitou que o quadro de úlcera de córnea se tornasse mais grave.
Uso lentes de contato desde a adolescência e nunca antes experienciara algo similar. Graças ao fundamental apoio de minha família pude atravessar dias um tanto angustiantes.

Não míopes talvez tenham dificuldade para entender. Mas o fato é que, apesar do alto grau em ambos os olhos, minha limitação visual, até aqui, jamais me impedira de fazer nada que eu quisesse (e também sou grata por isso) – de fotografar a pegar estrada, chegando a dirigir, por exemplo, entre Olinda e o Rio de Janeiro.
A propósito da experiência de viver com limitações dessa ordem, costumo recomendar o ótimo documentário “Janela da Alma”, de João Jardim e Walter Carvalho, também eles míopes.

Por fim, quero registrar aqui o alerta: à menor lesão no olho, ocasionada por uso de lentes de contato, não demore a buscar atendimento. Nesse tipo de situação, é o que determinará se sua córnea ficará ou não com cicatrizes ou se o caso se tornará ainda mais grave.”

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Na foto do topo, meus óculos de grau – todos com lentes que atenuam o efeito ‘fundo de garrafa’ (nenhum deles, entretanto, com o grau total do meu olho esquerdo). Na imagem acima, parte do que foi prescrito pelos oftalmologistas que me atenderam – alguns dos colírios aplicados de hora em hora.

 
 
 
 
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Lentes de contato, um desafio quase diário

 

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Medidas prescritas para minhas lentes de contato. No alto, em março de 2014; embaixo, em julho de 2007

 

Quando uma operação trivial como colocar um par de lentes de contato nos olhos chega às raias do suplício. Uso lentes desde a adolescência e sempre preferi as gelatinosas pela razão óbvia de serem mais confortáveis. Dentro dos olhos elas são o que têm de ser: translúcidas, comportadíssimas, umas graças. Mas antes de entrar ali…nem sempre. Nos dias em que se tem mais pressa, por exemplo, elas podem calhar de dobrar ao meio, em quatro, se dependurar nos cílios ou, simplesmente, capotar pia abaixo. Agora, imagine se a pessoa tem surreais 19 graus de miopia no olho esquerdo e, para piorar só um pouquinho, também é destra. Por essas e por outras é que continuo preferindo sair de casa com lente apenas no olho direito, que tem pouco mais de 6 graus e é, afinal, a visão com a qual posso contar.
Já que amplifiquei o desabafo: quando meu olho fica irritado, após seguidas tentativas frustradas de colocar-lhe a lente, nenhuma solução tem sido tão eficiente e curativa quanto uma ou duas gotas de colírio Acular.

E outra: recentemente, troquei o OptiFree pelo Renu e estou muito mais satisfeita com a limpeza e conservação de minhas lentes.