Outras recordações lusas

 

Reunião dos primos Paiva

De quebra, uma lembrança primaveril

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Nas fotos, meus bisavós paternos. No alto, minha bisavó Esther em dois tempos. Abaixo, à esquerda, meu bisavô Antonio. Ela, nascida em Matosinhos; ele, em Nelas.

Na mais recente edição do tradicional almoço dos ‘Primos Paiva’, no Gula Gula do Rio Sul – do qual, dessa vez, não participei –, meu pai conta que um dos assuntos conversados foi a vinda de meu bisavô Antonio, de Nelas para o Brasil.
Meus bisavós se conheceram no Rio de Janeiro e aqui se casaram em julho de 1915. Meu avô Edmundo, o primogênito, nasceu no Rio em agosto de 1916.

No almoço dos Paivas, a prima Marly, cidadã portuguesa como nós, lembrava que o bisavô mantinha laços estreitos com a comunidade lusitana quando chegou aqui. Antes e depois de se casar com minha bisavó, ele voltou diversas vezes a Portugal.

No Rio, ambos logo se tornaram associados da Beneficência Portuguesa. E, como meu bisavô possuía uma excelente condição financeira quando chegou ao Brasil, ele acabou ajudando alguns de seus conterrâneos a também se associarem, dado que eu desconhecia. Foi na maternidade da Beneficência, a propósito, que meu pai nasceu, em agosto de 1945.
O hospital se situava no bairro da Glória. Visitei-o algumas vezes quando criança – muitos anos antes de ser adquirido pela Rede D’Or -, em ocasiões em que meus bisavós recebiam algum tratamento na instituição. Uma das memórias que ainda tenho dessas visitas é da grande escadaria de pedra da entrada e das imagens religiosas espalhadas entre as alas.

Às vezes, quando nos pomos a mexer nos álbuns de família, meu pai acaba por desfiar reminiscências saborosíssimas da convivência com os avós paternos.
Ele conta, por exemplo, que quando ainda namorava minha mãe, por quem minha bisavó nutria grande afeição, ela costumava dizer sempre que os via juntos: “cuide bem de ‘mi Toninho’”. “Mi Toninho”, ele acrescenta, passou a ser um modo corriqueiro de sua avó saudá-lo. Isso talvez explique o fato de eu ter crescido ouvindo toda essa ala da família se referir ao meu pai (Antonio Augusto) como Toninho.

Uma das lembranças que guardo carinhosamente de convívio com meus bisavós paternos é de celebrações natalinas, reunindo várias gerações de Paivas, em torno de uma mesa enorme que havia na sala da casa deles, um sobrado que nos habituamos a chamar de “casarão”.

Embora minha bisavó tenha falecido quando eu ainda era criança, eu tenho mais lembranças de convívência com ela do que com meu meu bisavô Antonio. Lembro, por exemplo, de como achava belíssimos os seus grandes olhos verdes. E como eu me encantava com alguns dos mimos que ela nos destinava, como as goiabas de uma das árvores que havia no quintal da casa deles, armazenadas em sacos de pano que ela mesma costurava, das suas inigualáveis gelatinas coloridas e dos filhoses cuja receita, vim a saber mais tarde, tinha origem na sua Matosinhos natal.
Preciso dizer, no entanto, que a versão do bolinho português que ainda hoje atiça minha memória gustativa é a que preparava minha avó Mazoca, a mãe do meu pai. Minha virginiana mais amada, vovó faria 104 anos neste 22 de setembro, chegada da primavera, como ela se alegrava em dizer.

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Dos arquivos | A família em primeiro lugar

•  Meu avô Edmundo, filho de portugueses vindos de Viseu (Nelas) e de Matosinhos • Tempos de EAV, sensibilidade artística herdada da minha mãe • Do Instagram, lembrando quando mamãe tinha aulas na EAV  •  Meu pai em 3 tempos: No Colégio Militar, na AMAN e condecorado pós-comando no MS • Em Bsb: Expo com mamãe e Tiago • Ele, o brasiliense da família • Eu, sannyasin aos 16 – e a fé dos que me educaram • Os irrequietos Thiago e Tiago • Os irmãos Antonio e Edmundo – papai e titio em início de carreira • Minha irmã volta a morar na Venezuela • Foi nas piscinas do Clube Militar da Lagoa que eu minha irmã demos nossas primeiras braçadas • Prima Marlene, primeira engenheira da Rede Globo • Na Barra como em Bsb: Nossos endereços na capital federal • Pandemia com meus pais: recebendo notícias dos queridos, mundo afora • Aquela Brasília que aprendemos a amar • Os sobrinhos e um pouco da infância em Bsb • Conforta-me pensar que Hannah chega às nossas vidas enviada por mamãe • Dos stories, o nosso amor pelos pets • Mallu, a outra Border Collie da família

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De minhas vivências brasilienses

 

Com a deixa de um post publicado no perfil @historias_de_bsb no Instagram

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No alto: Comentários meus acerca de post contando a história da criação da superquadra 102 Norte (SQN 102):

Moramos, eu e minha família, em vários endereços destinados a militares na capital federal. Duas vezes na 102 Norte, quando meu pai era capitão. Duas vezes no SMU – Setor Militar Urbano (quando capitão e, depois, major, comandando um esquadrão próximo). Residimos, também, na 209 Sul e na 112 Sul, época em que meu pai (então, tenente coronel) serviu no EMFA. Nosso último endereço em Brasília foi na 103 Norte (até 1996).

E em resposta a comentário de um seguidor do @historias_de_bsb, aludindo à 112 Sul, ainda escrevi: Os prédios que pertenceram ao então chamado EMFA ficavam, na verdade, na 112 Sul. Eu e minha família moramos lá entre 1987 e (aqui, retificando) início de 1991, quando meu pai deixou o Estado Maior das Forças Armadas para assumir um comando em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Na época que menciono mais acima, eu e minha família morávamos no bloco K da 112 Sul.

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Acima, desmembrada em 3, minha carteirinha (datada de 1988) de usuária do “transporte escolar” destinado a dependentes de militares que trabalhavam no EMFA. Nessa época, eu ainda era aluna do departamento de Antropologia da UnB ; só tive a minha mudança de curso para a Comunicação efetivada em 1990.

 

 Cavalaria Coronel ativa reserva General de Divisão 18° Blog 17° RC Paivas apartamento funcional apartamentos imóveis funcionais PNR carreira militar ativa Adriana Paiva jornalista luso-brasileira

REPOST de correspondência entregue em alguns de meus endereços em Brasília : Cartão de Natal enviado de Amambai (MS) por Débora, amiga (e ex-vizinha de vila militar) que me conhece desde criança – nessa época, eu morava na 209 Sul. Em 1989, quando residíamos na 112 Sul, cartão de Ikeda-san, colega de minha irmã nos tempos de Colégio Marista (em Belém), acabou virando amiga de nós duas; e na 103 Norte, em 1993, remessa da amiga Mariliz, que conheci em Campo Grande (MS).

 

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Outras notas brasilienses

 

• Reminiscências de meus dois ingressos na Universidade de Brasília • A UnB de nossos manifestos juvenis • Pela janela de nosso apartamento na SQS 112 • Entre idas e voltas, lembranças de 15 anos de moradia em Brasília • Mostra no Palácio do Planalto na companhia de minha mãe e de meu sobrinho • Meu pai condecorado por FHC juntamente com meu professor Carlos Chagas • De Belém para Brasília via Correios • Série de posts em homenagem aos 54 anos de Bsb • Com a deixa do aniversário de 2013 • A caminho do Teatro Nacional, uma intervenção artística • Andar por condomínios da Barra com a sensação de circular entre blocos das quadras residenciais de Brasília • De um Carnaval em que eu fui atrás do Pacotão • Dos meus tempos de obsessão nipônica: templo budista da 316 Sul; aulas de nihongo, cultura japonesa e canto no coral Tanoshii Tori • Meu sobrinho Tiago, o brasiliense da família  • 

 

 
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Vicissitudes de uma miopia progressiva


E sobre rever o modo como usamos lentes de contato

Via post no meu Instagram

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“(…) Sou míope. Míope de nascença. O mais recente exame de refração detectou – 19.75 na minha vista esquerda e – 6.25 na direita. Por razões distintas nenhum dos olhos pode ser submetido a uma cirurgia de redução de grau.
Pois eis que, no início de agosto, num descuido no manuseio de uma lente de contato gelatinosa, acabei machucando seriamente meu olho direito. Ter sido atendida numa emergência oftalmológica foi o que evitou que o quadro de úlcera de córnea se tornasse mais grave.
Uso lentes de contato desde a adolescência e nunca antes experienciara algo similar. Graças ao fundamental apoio de minha família pude atravessar dias um tanto angustiantes.

Não míopes talvez tenham dificuldade para entender. Mas o fato é que, apesar do alto grau em ambos os olhos, minha limitação visual, até aqui, jamais me impedira de fazer nada que eu quisesse (e também sou grata por isso) – de fotografar a pegar estrada, chegando a dirigir, por exemplo, entre Olinda e o Rio de Janeiro.
A propósito da experiência de viver com limitações dessa ordem, costumo recomendar o ótimo documentário “Janela da Alma”, de João Jardim e Walter Carvalho, também eles míopes.

Por fim, quero registrar aqui o alerta: à menor lesão no olho, ocasionada por uso de lentes de contato, não demore a buscar atendimento. Nesse tipo de situação, é o que determinará se sua córnea ficará ou não com cicatrizes ou se o caso se tornará ainda mais grave.”

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Na foto do topo, meus óculos de grau – todos com lentes que atenuam o efeito ‘fundo de garrafa’ (nenhum deles, entretanto, com o grau total do meu olho esquerdo). Na imagem acima, parte do que foi prescrito pelos oftalmologistas que me atenderam – alguns dos colírios aplicados de hora em hora.

 
 
 
 
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Ainda mais reminiscências


ANO II da pandemia

Também direto do Instagram

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Família guarani-kaiowá. Mercadão Municipal de Campo Grande (MS). #TBT de 1991, ano em que eu e minha família nos mudamos para a cidade.
Como outros de nossos deslocamentos país afora, este também se deu em função da profissão do meu pai que, coronel à época, foi para lá comandar o 18° Batalhão Logístico.
Obs.: (Preferi dessaturar a imagem para republicá-la no blog).


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Brasília. Registro feito alguns anos depois.
Apresentação de trupe circense mirim na Torre de TV.

Itinerâncias

Chamados d’além-mar

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Meu avô Edmundo, em registros feitos entre 1935 e 1944: Filho de portugueses que se conheceram no Brasil; minha bisavó Esther era de Matosinhos, meu bisavô Antonio de Viseu (Nelas) — tive a sorte de conviver com eles durante um bom período de minha infância. Ah, sim, quando eu me entendi por gente, vovô já tinha ficado calvo


Já se vão alguns anos desde que meus primos André e Thiago, filhos do irmão de meu pai, adquiriram cidadania europeia e escolheram a Europa para viver. O fato de nossos pais serem netos de portugueses trouxe, é claro, facilidades ao processo.

Thiago, o caçula do meu tio, mudou-se para Düsseldorf em função de seu trabalho como diretor de arte em uma agência de publicidade. Foi na cidade alemã, aliás, que sua primeira filha veio ao mundo. Depois de um período vivendo nos Estados Unidos (Chicago), também por injunções profissionais, recentemente ele resolveu voltar para a Alemanha. André, o primogênito, rumou para Portugal com esposa e filhos, comprou apartamento por lá e, segundo diz o titio, não pensa em, tão cedo, voltar a morar no Brasil.

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André e Thiago em 2 tempos: o primogênito e o caçula de meu tio Edmundo

Essa facilidade em construir uma vida em cidades tão díspares é algo que, a despeito de minha própria experiência “cigana”, continua me causando admiração. No caso dos meus primos, me pergunto até que ponto o fato de eles também terem pai militar (como eu e minha irmã) não tornou as decisões ainda mais fáceis. Meu tio é oficial superior da Marinha, atualmente, na reserva.

fotos viagens meu pai papai Pelotas RS viajantes Antonio Augusto cadete quase aspirante base aérea aviões avião Hércules 2º Regimento de Cavalaria Mecanizada Turma Humaitá AMAN 1968 tio das Forças Armadas carreira vida militar militares cavalariano Rio Grande do Sul comando Marinha capitão de Mar e Guerra comandante Edmundo Paiva colégio naval oficiais navio Terra do Fogo

À esquerda: Meu pai, no 4° ano da AMAN, a caminho de São Borja (RS) ; final do curso de Cavalaria incluía partidas de polo na Argentina. Nas fotos ao lado, meu tio quando jovem oficial; navio de passagem pelo Estreito de Magalhães (Chile).

Há algum tempo experimentando a serenidade advinda de fincar raízes junto aos meus, depois de anos mudando de cidade — com mais frequência até que meus primos, enquanto titio esteve na ativa –, de repente, me vejo sondando possibilidades para algo além das fronteiras do Rio de Janeiro.

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Recordações do MS

Campo Grande * Década de 1990

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Ateliê Arte do Pantanal: De postais a camisetas, mimos com temática regional

Voltando a mexer em postais e fotos, me ocorreu verificar se estabelecimentos que eu frequentava quando moramos em Campo Grande (entre 1991 e início de 1993) ainda estão em funcionamento. Estariam em atividade, por exemplo, nos moldes em que os conheci, o Arte do Pantanal e o Bar Camaleão?

Sobre o Arte do Pantanal, é possível que, em algum grau, minha memória me traia, mas a imagem que me ficou desse período foi de adquirir uma grande variedade de souvenirs em uma lojinha situada na Avenida Afonso Pena – uma das principais da capital -, não muito distante de onde morávamos. Nossa casa ficava na rua Sargento Cecílio Yule – perpendicular à avenida — , em um trecho da vila militar reservado às residências de coronéis e generais. Nessa época, meu pai comandava o 18° Batalhão Logistico.

Do bar Camaleão, já cheguei a falar aqui. Tocado pela família Espíndola, o lugar era um dos mais fervilhantes pontos de encontro de artistas e intelectuais, na capital sul-matogrossense. Quando fiz a foto (abaixo) do recital de Adriana Calcanhotto, aliás, o diretor cultural do bar era o artista plástico Humberto Espíndola, irmão mais velho das cantoras Alzira e Tetê.

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Bom, como o Google não me pôde fornecer informações precisas sobre o bar e o ateliê, resolvi perguntar aos amigos Oscar e Mariliz, profundos conhecedores da ‘Cidade Morena‘.

Também jornalista (e, como eu, cobrindo área cultural), Oscar me disse que o bar esteve em atividade por algumas temporadas, na década de 1990, e depois fechou – e que a família Espíndola, desde então, não investiu mais nesse tipo de empreitada. Já o Arte do Pantanal, com aquele perfil que conheci, ao que parece, não existe mais.

“Aulas de felicidade”

Na minha época de UnB era o SOU a apontar caminhos

A inclusão de uma disciplina na grade curricular da Universidade de Brasília (UnB) rendeu, na última semana, uma série de reportagens e posts redes afora. Inspirada na experiência das universidades americanas de Harvard e Yale, “Felicidade”, a matéria em questão, passará a ser oferecida a partir de agosto, e, por ora, apenas aos alunos do campus do Gama.
Com tantas chamadas apontando para o “inusitado” do fato, o que parece ter rendido menos comentários nas redes foi a real motivação da novidade curricular.

A preocupação com a saúde mental dos alunos da UnB foi o que, na verdade, levou à criação da disciplina. Precisamente depois que uma pesquisa demonstrou que um grande número de estudantes vinha apresentando sintomas de distúrbios como a depressão, quadro frente ao qual a universidade admitia não estar preparada para atuar.

UnB Universidade de Brasília John Lennon Beatles histórias de Brasília Bsb brasilienses jornalista Adriana Paiva homenagem música músicos estátuas

O que é bom para a UnB é bom para o Brasil? : Doada à universidade em meados da década de 1990 (época em que fiz a foto), estátua de John Lennon, ainda hoje, é alvo de pichações

Quando vi a reportagem na Globo News, um dos pensamentos que me ocorreram foi que, nos meus tempos de UnB, o que tínhamos à disposição como suporte para nossas inquietações – crises vocacionais, inclusive – era o SOU – Serviço de Orientação ao Universitário — http://www.deg.unb.br/sou — e que este foi-me bastante útil na época em que, tendo por volta dos meus 19, 20 anos, ainda não tinha firmeza sobre minhas escolhas profissionais — convém lembrar que entrei na universidade aos 17. Foi frequentando o SOU, aliás, que recebi apoio (e a indicação de uma terapeuta) para começar a fazer análise.

Há que ser sempre recebida com entusiasmo a oferta de disciplinas que tenham como meta a melhoria do bem-estar dos alunos. Entendo que a inserção no currículo acadêmico de aulas de “felicidade” é também uma forma de jogar luz sobre questões que, eventualmente, estejam a afligir os estudantes, e que fazê-lo em grupo, compartilhando experiências, é um bom começo. No entanto, se ao sentimento de inadequação também se somam sintomas de distúrbios mentais mais sérios, é óbvio que esses têm de ser tratados com a adequada orientação profissional.

 

OPTATIVAS

Uma olhada nos históricos escolares das universidades pelas quais passei atesta o quanto sempre fui adepta de incursões por matérias sem imediata ligação com o meu curso. Na UnB mesmo, na tentativa de descobrir qual seria minha real vocação, experimentei um bocado entre a Antropologia e o Cinema – um pouco menos, entretanto, quando me decidi pelo Jornalismo.

FAC história histórias bsb colegas UnB expediente Câmpus jornal ensino superior faculdades estudei DF experiência brasiliense Repórteres e editores Adriana Paiva matéria jornalística reportagem matérias jornalísticas assinadas fotos Veronica Goyzueta Nahima Maciel Renê Sampaio professores David Renault Maria Luiza Dainesi professores telejornalismo Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

Expediente do jornal-laboratório Campus: Matéria obrigatória ; no meu segundo ingresso na UnB, em 1993, eu já estava decidida pelo Jornalismo

A lista de optativas cursadas (apenas na UnB) incluiu, entre outras: uma série de disciplinas nos departamentos de Literatura e Filosofia, uma efêmera incursão pela Psicologia (com PGE, uma de minhas mais atormentadas escolhas), além de experimentos em Letras, com alemão — que tranquei não muito tempo depois de começar a contar ‘eins, zwei, drei, vier’… – e língua japonesa, cuja aprendizagem busquei aprimorar em cursos fora da universidade.

Embora continue entusiasta de uma formação multidisciplinar, hoje reconheço que preferiria ter ingressado na universidade com menos dúvidas do que entrei, o que, é bem provável, me teria levado a cursar optativas com mais objetividade, isto é, buscando aquelas mais condizentes com minhas verdadeiras aptidões.

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A UnB de nossos manifestos juvenis

[ Da série: ‘Arquivos Brasilienses’ ]

O ano em que, por pouco, não vimos uma viralata tornar-se reitora

Universidade de Brasília histórias Bsb história FAC Faculdade comunicação Geni a cãdidata cães viralatas SRD brasilienses Adriana Paiva jornalista

Campus da Universidade de Brasília (UnB): A mascote Geni “posa” ao lado do DCE. ‘Cãdidatura‘ da viralata à reitoria ganhou fôlego a partir dos centros acadêmicos 

Estávamos em 1993,  pouco tempo após o meu segundo ingresso na UnB (dessa vez, para cursar Jornalismo) e em época de eleições para a reitoria.

Não recordo das circunstâncias exatas que envolveram a iniciativa de lançar a viralata como candidata a reitora. Ouvi quem afirmasse que a ideia teria sido gestada dentro do DCE, mas também quem dissesse que teria partido do pessoal do CAFIS, o Centro Acadêmico do curso de Física.
Concebida para encarnar o voto de protesto – no mais galhofeiro estilo “macaco Tião” -,  fato é que a candidatura da cã bonachona deixou o campus em polvorosa, com as ações criativas promovidas pelo pessoal dos centros acadêmicos, vindo, inclusive, a ser destaque em vários veículos de imprensa.

Foto pde Adriana Paiva

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Algum tempo depois de “concorrer” à reitoria, Geni também foi parar na capa do “Agnaldo”, suplemento cultural de nosso semestre de Campus (o jornal-laboratório do curso de jornalismo da FAC), ao lado de acontecimentos e personagens de destaque da cena brasiliense, como o Maskavo Roots  – em sua primeira formação; a que tinha como guitarrista o Carlos Pinduca, fundador da banda e meu colega na disciplina ‘História da Imprensa’ (ministrada pelo saudoso Carlos Chagas):

jornal bandas brasilienses de garagem capa do suplemento Agnaldo do Campus

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Falando, ainda, em reitoria, informações que já quase me escapavam: Ao longo de meus dois ingressos na UnB, tivemos três diferentes reitores: Cristovam Buarque, Antônio Ibañez Ruiz (que chancelou minha mudança de curso, da Antropologia para o Cinema) e João Claudio Todorov (por dois mandatos).

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| Outras notas brasilienses:

*  + Universidade de Brasília * Meus endereços na capital federal * Brasília, 56 anos  * Bsb: 54° aniversário * Brasília aos 53  * Recuerdos digitalizados  * Pelas mesmas ruas onde aprendi a dirigir * Retratos em preto e branco * Notas do Clã * Arquivos de andanças * Razões para retornar a Brasília *

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Geografia de afetos

Entre as andanças, a troca de cartas

E por que mesmo 5 vezes Brasília?

Dedicada às costumeiras arrumações de final de ano, lembro, com alegria, que, diferentemente dos cartazes e programas de teatro, que vi serem extraviados em meio às nossas mudanças de cidade, parte preciosa de meus arquivos epistolares segue cuidadosamente armazenada.
Vários desses cartões, cartas, telegramas (e envelopes) já estavam escaneados havia algum tempo – previdente que às vezes sou. Cheguei, aliás, a publicar algumas reproduções no Periplus, no início dos anos 2000.

Correios - Exército comando papai meu pai Antonio Augusto Abreu Paiva Turma Humaitá AMAN 68 1968 Apartamentos na 209 Sul na 112 Sul e na 103 Norte Do Pará e do Mato Grosso do Sul Débora Sena Amambai MS Paraguai 17° RC Regimento de Cavalaria Fukumi Ikeda nissei Amazonia Belém Pará Mariliz Romero comandou comandos 18° Batalhão Logístico Blog MS filha filhos de militar Forças Armadas militares Ensino escolas colégios particulares estudei estudos Primeiro Segundo Grau Adriana Ana Cristina Escola Marista Integral La Salle Colégio Eduardo Guimarães educação

Pelo correio. Para 3 de meus endereços em Brasília: Cartão de Natal enviado de Amambai (MS) por Débora, amiga (e ex-vizinha de vila militar) que me conhece desde criança – nessa época, eu morava na 209 Sul. Em 1989, quando residíamos na 112 Sul, cartão de Ikeda-san, colega de minha irmã nos tempos de Colégio Marista (em Belém), acabou virando amiga de nós duas;  e na 103 Norte, em 1993, remessa da amiga Mariliz, que conheci em Campo Grande (MS).

Passando os olhos por toda essa correspondência, veio batucar um assunto sobre o qual já falei aqui en passant: por que, afinal, depois daquela primeira vez, voltamos a morar em Brasília em outras quatro ocasiões?
Chamei meu pai  para conversar. Sabia das razões, em linhas gerais, mas queria ouvi-lo falar dos detalhes. Segundo ele, a prioridade era que eu e minha irmã tivéssemos a melhor formação escolar possível – estudamos, de fato, em ótimos colégios – e crescêssemos numa cidade segura e tranquila – o que Brasília de certa forma foi, em nossos tempos de infância e pré-adolescência. Junto a isso, pesou o fato de que, para lá também costumavam pleitear retorno os seus amigos mais próximos. Muitos dos quais conviveram com ele ainda antes de seu ingresso na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Confesso que, nesse aspecto, tenho uma certa inveja de meus pais. Boa parte daquelas amizades que eles começaram a cultivar na juventude eles preservam até hoje.
Já eu, certamente por ser mais introvertida (e por ter feito tantas escolhas heterodoxas), vi, ao longo dos anos, muitos dos meus laços de amizade se afrouxarem e se perderem pelo caminho. Perdi, por exemplo, boa parte de meus contatos de Belém e de Olinda. Em contrapartida, ainda mantenho ligação com várias das pessoas com quem convivi no Mato Grosso do Sul e em Brasília e com outros filhos de militar que, como eu, também não eram muito de frequentar o meio.
Admito que, se o grau de intimidade com algumas dessas pessoas variou tanto ao longo dos anos, talvez tenha faltado mais investimento de minha parte, no sentido de criar as situações para revê-las.

No caso de meus pais, as circunstâncias para manter as relações aquecidas parecem estar sempre se renovando, vide a penca de reuniões – sob motivações as mais variadas – das quais eles participam a cada ano.
Eles me contam histórias curiosas sobre esses eventos. De um desses encontros anuais, a propósito, o do Colégio Militar (que meu pai cursou parte em BH, parte no Rio) costuma participar o Fernando Bicudo, de quem creio ter ouvido falar pela primeira vez na década de 1990, por sua atuação como diretor e produtor teatral.
Dessa turma deles, relata meu pai, outros desistiram da carreira militar e incursionaram por diferentes profissões – casos do cantor Ivan Lins e do falecido ator Luiz Armando Queiroz.

Piraquê Lagoa - Reunião anual do Colégio Militar Turma 1958 1964 . Filha, filhos de militar, Turma do meu pai, CMRJ, Belo Horizonte, Humaitá, militares, Coronel, General, coronéis e generais, Heleno, Esper, Arthur Souza, Fernando Bicudo, partido Novo, filho, Montanha, oficiais superiores, Exército, Cavalaria, colegas da AMAN, Academia Militar das Agulhas Negras, Rio de Janeiro,

Reuniões anuais da turma de meu pai no CMRJ: na foto do alto, comemoração no Clube Piraquê, em 2014. Acima, reunião de 2016; segurando a bandeira, no centro da imagem, Fernando Bicudo

Voltando àquele meu esforço de reaver e manter afetos, é claro que, à maneira do que ocorreu com muita gente que conheço, as redes sociais (primeiro o Orkut, depois o Facebook) cumpriram seu papel nesse propósito. Mas, fale eu de amizade ou do valor que dou à interlocução, jamais hei de esquecer que, muito antes delas, havia o ritual da troca de missivas.

Da série: “Arquivos de Andanças”

Revendo trajetórias

“Pertence à ordem do amor para um filho, em primeiro lugar, que ele diga sim a seus pais como eles são”

(Bert Hellinger)

Se eu já era cuidadosa em relação aos meus backups, tornei-me três vezes mais depois de passar por uma (ainda não digerida) perda de arquivos fotográficos.
E eis que, no movimento de encontrar (e, aos poucos, reparar) imagens do Periplus, meu primeiro blog – até recentemente, hospedadas em um de meus domínios -, deparei com um post em que eu relatava um reencontro com colegas jornalistas, ocorrido em São Paulo, logo após eu me mudar para lá. Fez-se, então, a deixa perfeita para eu retomar o assunto aqui.

Banner do Periplus Colégios estudos onde estudei Colégio Eduardo Guimarães Segundo Grau Escola La Salle Integral brasilienses japoneses faculdades Universidade de Brasília Em japonês das aulas de Alice Tamie Joko UnB hiragana katakana Nihongo Adoriana Paiba


Comentando uma afirmação equivocada sobre carreira no Exército, feita por uma das pessoas presentes àquela reunião, escrevi em certa altura: “Em um país onde o alistamento militar é obrigatório, não seria duplamente imperativo que nosso repórter estivesse a par de questões como essa?”
Então.Imaginem ter de explicar para um jornalista, com idade perto dos 30, o que significa, para essa carreira em especial, o seu pai ter cursado AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras). Logo eu! Difícil de acreditar, mas eu precisei fornecer tais explicações para um cara que chegou a frequentar festa na casa da minha família, em Campo Grande (MS), justo na época em que meu pai, então coronel, comandava um quartel na capital. O mesmo indivíduo que, algum tempo depois do tal equívoco, eu soube estar frilando para um jornal de São Paulo.

Papai como Coronel.
, Paiva Antonio Augusto, pai de Adriana Paiva, - ECEME Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Condecorado em 1995 durante governo FHC, QG do Exército, Forte Caxias, SMU Setor Militar Urbano, Colégio Militar, Prova de salto na AMAN, cavalo Batorité, Seção Equitação, Turma Humaitá 68, Academia Militar das Agulhas Negras, Resende, 1968, general de divisão, generais, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais EsAO, Comandos, Curso de Altos Estudos Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, ECEME, Paiva, 3° Esquadrão Cmec, 3° Esquadrão de Cavalaria Mecanizada, O 18º Batalhão Logístico, 18º B Log, comunicação, Quadro de Estado-Maior da Ativa, QEMA,
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Meu pai em 3 tempos: A partir do alto, no sentido horário: Em 1958, com 12 para 13 anos, aluno do Colégio Militar de Belo Horizonte; em 1967, participando, como cadete, de uma prova de salto na AMAN; e em 1995, aos 50 anos, condecorado, como coronel, na mesma cerimônia em que, coincidentemente, meu ex-professor de História da Imprensa (FAC/UnB), o jornalista Carlos Chagas (na 2.ª fileira), também era homenageado.

Pouco converso sobre o assunto, mas não teria como ignorá-lo. Afinal, trata-se de minha filiação. Meu pai chegou ao topo da carreira, tendo cumprido, com honrarias, todo o percurso a partir do Colégio Militar: entrou na AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras (o equivalente, em termos civis, a uma universidade), fez EsAO, ECEME, comandou quartéis, como major e, depois, como coronel…
Ou o coleguinha, lá atrás, era pouco informado sobre o meio (do que duvido muito) ou agia de má-fé, opção que reputo como a mais provável. Bem, mas essa é uma outra história. Não faz sentido ocupar o espaço do meu blog com considerações sobre a motivação (e os complexos) de quem eu mal conheço.

Percursos dos pais, escolhas dos filhos

Lembro da primeira vez em que me senti constrangida por ser filha de militar. Eu era adolescente e cursava a primeira série do Segundo Grau numa escola particular de linha progressista, em Botafogo. A situação não poderia ser mais banal: minha carteira de identidade caiu no chão da sala de aula. O garoto que sentava-se ao meu lado viu e pegou-a, às gargalhadas e com um comentário mais ou menos nestes termos: ‘Olha só, gente, ela é filha de major!‘ — o RG emitido pelo então Ministério do Exército trazia impressa a patente do pai do portador.  Embora perdoado, o bullying continuou reverberando muito tempo depois. Mas foi ali, naquela escola da zona sul carioca, em meio a aulas de Sociologia da Educação e práticas artísticas, com professores por quem eu nutria enorme fascínio, que eu comecei a ter a real dimensão da triste herança deixada pelo regime militar. Daí porque, alguns anos depois, tenha ingressado na universidade esperando que esse viesse a ser um assunto particularmente incômodo. Chegava a antever os dedos em riste. Mas não foi o que ocorreu. Pelo menos não em minhas duas passagens pela UnB. Talvez tenha pesado o fato de que éramos ali, em um grande número, alunos vindos de outras cidades, vivendo em Brasília sobretudo em função das profissões de nossos pais. E por que mesmo interessaria saber a profissão dos progenitores dos seus colegas de turma?

Mas se eu, a partir da adolescência, passei a me sentir desconfortável com o fato de ser filha de militar, de lá para cá, tenho conhecido pessoas que relacionam-se com a sua filiação de maneira bem mais serena – gente, inclusive, com quem compartilho semelhantes ideais progressistas.

Nesse grupo, ouso incluir o fotógrafo Luis Humberto, de quem fui aluna na UnB. Conheci-o na época em que eu estava pleiteando mudança de curso, de Antropologia para Comunicação. Não demorou a que eu descobrisse que ele também era filho de militar. Antes e depois de meu ingresso na FAC, chegamos a conversar, muito abertamente, sobre as implicações de ter pai “milico” e de como essa nossa origem se refletia em nossas escolhas – para o bem e para o mal. Eu concluía ali que, para lá das diferenças geracionais (meu pai nasceu em 1945) e das trajetórias dentro das Forças Armadas, nossos pais tinham muito em comum. Em termos de formação intelectual e cultural, mas, sobretudo, no que dizia respeito a aceitarem as opções que fazíamos, por mais heterodoxas que pudessem se revelar. Entendia, então, que éramos ambos filhos de homens em nada parecidos com a imagem (ainda hoje) bastante difundida do militar inculto e reacionário.

 
 
 
 
 
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Na Barra como em Brasília

Reminiscências de uma caminhante contumaz

Mandala Barra da Tijuca condomínios PNR residência funcional Setor Militar Urbano SMU QRO Quadra Residencial de Oficiais

Barra da Tijuca e Brasília - Plano Piloto - Setor Militar Urbano SMU SQS 112 SQS 209 SQN 102 SQN 103 Quadras superquadras casas e apartamentos em Brasília - Residência funcional residências funcionais quartéis militares filhos de militar EMFA QG do Exército 3° Esquadrão Cmec comando Cavalaria

Quadra das Ilhas, Quadra das Brisas; são cinco quadras ao todo. Desde que meus pais moraram na Quadra das Enseadas, há alguns anos, nunca deixei de achar curiosa essa subdivisão (e me incomodar um pouco com a falta de ousadia na escolha dos nomes). Enfim, esses são recortes do que diviso durante minhas rotineiras caminhadas entre os condomínios Novo Leblon e Mandala. E, sim, com a sempre renovada sensação de estar circulando entre os blocos das quadras residenciais de Brasília. No Mandala, em especial, é frequente me sentir como que caminhando por certas superquadras 100/300 da Asa Sul. 

5 X Brasília

Sabedores de que uma recordação não tarda a ativar outras, vamos lá: nas cinco vezes em que moramos em Brasília, por períodos variáveis, entre 1975 e 1996, estes foram os nossos endereços (na exata sequência): SMU/QRO, 102 Norte, 209 Sul, SMU/QRO, 112 Sul e 103 Norte. Um conhecedor mediano da cidade não custaria a inferir por que, exatamente, residimos nessas áreas.
Poupo-lhes de mais elucubrações. Para que se compreenda a razão de parte de meus deslocamentos país afora e uma vez que eu só havia referido-me ao assunto nas entrelinhas (Marambaia, Forte São João, etc.), creio que caiba acrescentar: quando fomos a primeira vez para Brasília, na década de 1970, meu pai (hoje na reserva) era capitão (Exército/Cavalaria). Na última, coronel, voltando do comando de uma unidade militar em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

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A mais atípica das cariocas

 

De frente para o mar. Mas e daí?

Trocando praia e mostras de arte por filmes e livros

Oscar, Bafta e Berlinale - Rio Design Barra, alimentação natural, cinemas, Fase vegetariana, Sobre estilo vegetariano, Época macrobiótica Fase entre

Cinema do Rio Design Barra: Em cartaz, nas últimas semanas, várias produções concorrentes nos festivais da temporada

Da varanda e de todas as janelas do apartamento onde moro tenho ampla vista para o mar. Passando em revista os meus “périplos”, arrisco dizer que, na maioria das cidades litorâneas onde vivi, quando não morei diante de uma praia – como em Olinda ou na Restinga da Marambaia -, residi bem perto. Nesse aspecto, não me canso de repetir, a Urca figura entre minhas mais agradáveis experiências.
Eu ainda era um bocado “praieira” quando morei lá, na adolescência. Quase insanamente, eu diria. A ponto de tomar banho de sol nos horários mais proibitivos e de ficar muito frustrada se, na segunda semana de verão, já não estivesse ostentando um bronzeado de capa de revista. Como podem ser comezinhas as prioridades de uma adolescente, não? Acho que, mais tarde, adulta, eu só consegui pegar mais leve com minha (falta de) consciência porque, foi ali, por volta dos 15, 16 anos, que eu aderi à alimentação natural, escolha que, ao contrário dos prognósticos familiares, acabaria não se revelando mais um modismo. Desde então, nunca mais voltei a comer carne.

Hoje em dia, viver perto do mar não altera em nada o fato de eu gostar cada vez menos de calor e, por conseguinte, do verão. E já não alterava quando morei em Olinda (por quase nove meses, entre 96 e 97), em uma casa na beira da praia. O calor, aliás, foi um dos motivos que me levaram a abreviar meu tempo de residência na cidade. Dentre todas onde morei, decididamente, aquela onde me senti menos adaptada. Mas é claro que, embora o componente climático tenha contado muito, ele não é suficiente para explicar minha inadequação.

Minha breve temporada nordestina

Mudamo-nos de Brasília para Olinda em julho de 1996. Quando vim embora para o Rio, minha família continuou morando lá – até a transferência de meu pai para São Paulo, em 1998. Diferentemente de mim, meus pais adoraram a experiência de morar no Nordeste. 
Que não se interprete, a partir daí, que eu não gosto da região. Conheci algumas incríveis cidades nordestinas. Na maioria das situações, claro, na condição de turista.

Hoje entendo que viver uma rotina de morador, em qualquer que seja a cidade, pode se revelar uma experiência amargamente definitiva. Daí que eu costume dizer, que, se pudesse voltar no tempo, teria preferido que minhas primeiras incursões por Olinda e Recife tivessem se dado durante o carnaval. O que certamente teria me permitido manter, em relação às duas belas cidades, algo da disposição generosa, daquele olhar encantado típico dos forasteiros.

Voltando ao calor em terras cariocas…É certo que, em função disso, tenho ido com menos frequência ao centro da cidade. Mas, no balanço de resfriados (culpa de entre-e-sai do ar-condicionado), enjoos e irritabilidade, há que se registrar os ganhos: tenho ido mais ao cinema – ao Espaço Rio Design, do lado de casa, por exemplo, eu vou a pé – e, do final de janeiro para cá, assisti a cinco das principais produções cinematográficas concorrentes nos festivais da temporada. Concomitante a isso, aproveito a estação para colocar minhas leituras em dia. Hoje comecei a ler “Cinco Esquinas”, do Mario Vargas Llosa.

Colado aos shoppings Millenium e Novo Leblon

 Ainda o Rio Design Barra: Um dos três shoppings próximos ao Novo Leblon, condomínio onde moro. Além do cinema, aí encontro uma livraria e ótimos restaurantes, cafés e sorveterias. 

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Sobretudo porque célere

Ainda o metrô

Museu de Arte de São Paulo Lina Bo Bardi arquiteta cavaletes de vidro

Certos encantos da metrópole: Sair do MASP,  pegar o metrô até a Pinacoteca e voltar à Paulista com disposição para ainda flanar

Um leitor do blog fez a provocação e eu não me furtaria a responder: “Você fala tão bem do metrô porque não deve usar com frequência”. È vero, ultimamente, não. Ele ainda emendou: “E aposto que nunca entrou na Estação Sé perto de final de expediente”. Taí. Entrei. Pode ter sido por absoluta ignorância da multidão que encontraria em uma daquelas típicas tardes de temporal na capital paulistana. Mas entrei. Admito, é experiência para os fortes. Eu não a repetiria em sã consciência.

Sinto que minha relação com o metrô, hoje em dia, guarda certo laivo de minhas experiências de jovem universitária vindo ao Rio visitar meus avós. Com o sentido de urgência próprio de meus vinte e poucos anos, como não amar a ideia de sair de um sebo no centro da cidade, embarcar em uma estação próxima dali, e, minutos depois, já estar flanando por Botafogo? Quando vinha de férias, era principalmente meu avô quem costumava me deixar nos lugares onde eu desejava ir. Mas quando eu não podia contar com a carona dele, o metrô, frequentemente, me foi de grande serventia.

Já em São Paulo, de uns anos para cá, minhas melhores experiências com o meio de transporte têm se dado em dias em que, tendo uma agenda flexível, posso me deslocar sem muita pressa. Em uma dessas ocasiões, peguei o metrô na Paulista para ir até a Pinacoteca, dali até a Vila Madalena e, mais tarde, outro de volta à Paulista, aportando por lá com disposição para ainda flanar pelos arredores. A melhor maneira de visitar um número razoável de museus e galerias, em um mesmo dia, segue sendo essa. Mas, claro, evitando sempre os horários de rush.

A propósito ainda de ser conduzida aos locais que me interessam, com praticidade e rapidez, gostei bastante da experiência que tive, dia desses, de pegar um VLT na Parada dos Museus – ao lado do Museu de Arte do Rio -, para descer na Cinelândia, perto de onde, aliás, o ônibus exclusivo do Novo Leblon faz escala no percurso de retorno ao condomínio.

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Em tempo: A revista O Globo deste domingo traz especial sobre a Linha 4 do Metrô do Rio, com crônica de Arnaldo Bloch e ensaio fotográfico de Custódio Coimbra. Aqui: [=].

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Brasília: 56 anos

 

Minha homenagem

Com trechos de post publicado em 2002,  no meu 1° blog,  o Periplus

Mudanças de cidade - filha filhos de militar militares do RCG Cavalaria Dragões da Independência superquadras brasilienses DF oficiais Exército Brasília macrobiótica e vegetariana estilo vegetariano Neasia Alice Joko Departamento de letras UnB Universidade de Brasília Hare Krishna música músicos comunicação professores Revista Transe

Privilégio de ter vivido o lado mais “cidade” da capital da República.

Estávamos no início dos anos 2000 e eu me pegava revolvendo lembranças da década e meia em que, entre idas e voltas, morei na cidade : 

“(…)  O primeiro sobrevoo pelo ocre saturado do Planalto Central. As chuvas perfumando tudo depois dos duros meses de estiagem. O céu azul-púrpura e o horizonte amplo. A arquitetura de arestas. As vastas galerias e avenidas. Aprender a dirigir por essas ruas. A tentação da velocidade…
Nossa “secreta”, a baiana Joana. Seus quitutes pontuais. Judy, minha Lulu da Pomerânia. Preta, a vira-lata do coração. As ‘creonças’ aprendendo a cavalgar no RCG. Ver meu pai jogar pólo. Fazer natação no Círculo. Os arraiais de São João. As visitas de meus avós durante as férias. O casamento da Cris, minha irmã. O nascimento de meu sobrinho Tiago.

Webster, meu professor de violão, e Verinha, sua namorada. Martín, Go, Leda, André, Carla, amigos e conselheiros. Valéria Velasco, mãe da Usha e minha primeira editora no Jornal da Comunidade.
As festas que organizávamos no Park Way. Fechar todos os bares da 108 / 109 sul, em cantorias desatinadas com a turma da FAC.

Deixar de comer carne, aos 15 anos. Ir ao Jegue Elétrico para comprar a “Transe” e os discos do pessoal do “Lira Paulistana”. Domingo de ‘prasada’ no Hare da 508. Fim de tarde no Café Martinica, a metros da minha casa. O pão de queijo e o bolo “peteleco” do “Furão ” (fechado há anos), na 102 norte. As tortas da Praliné e da Francesa.
Ir a todos os espetáculos no Teatro Nacional. Encontrar a Sala Villa-Lobos sempre lotada. Conseguir lugar nas primeiras filas. 
Devorar quadrinhos na gibiteca da 508 Sul. Expor na Athos Bulcão .

UnB : Os amigos de faculdades. Usha, amiga desde “Fotografia e Iluminação 1”, com o David Pennington. A primeira moviola. As aulas de “Direção do Filme”, com o Pedro Jorge Pinto. Gravar em um circo, nas proximidades de Bsb, uma adaptação do “Artista da Fome” ( conto do Kafka), para a disciplina do Pedro Jorge. Ir com coleguinhas à primeira expo do Salgado — no DF, claro. Os Ladrões de Alma. Viajar para Pirenópolis no ônibus ferrado da FUB, para fazer o ensaio final em “Introdução à Fotografia”. Jeová, criatura santa que trabalhava como laboratorista na FAC. “Seu Tonho”, servente nota 10, alegrando a galera retardatária no final de semestre.
Alice Tamie Joko (Arice Sensei), minha primeira professora de japonês. Cantar no Tanoshii Tori. As aulas de “Cultura Japonesa”, com o Marcos Vinícius. Aprender ikebana e sumi-e, no NEA(SIA) . As farras do Enecom. Os shows de Célia Cruz, Fito Páez, Cássia Eller, etc., no FLAAC.
As horas infindáveis devorando todas as edições da “Graphis”, mais a obra do Borges e do Kafka, na BCE. Os 6 ou 7 livros emprestados semanalmente na biblioteca .
Ir praguejando até o C.O. para fazer PD1 e PD2. Encontrar corujinhas nas árvores do caminho.

Os inesquecíveis interlocutores. Os múltiplos gozos intelectuais. Ver e ouvir: Adélia Prado, Washington Novaes, o bispo Desmond Tuto, Ferreira Gullar, Roberto Freire ( os 2 :-) Receber os toques do mestre das artes gráficas, Wagner Rizzo . Fazer o still daquele documentário sobre o Torquato Neto. A entrevista que o Caetano Veloso  nos concedeu no Hotel Nacional. Aprender a fazer roteiro para cinema. Ter alguns guardados na gaveta.
Ter sido aluna, também, de: Vladimir Carvalho (O Documentário), Carlos Chagas (História da Imprensa), Roque Laraia  (Antropologia 3),  Susana Dobal (Introd. à Fotografia ), Cristina (Inglês 1 e 2), Maria Auxiliadora (Linguística), Ferreirinha (Teoria da Literatura), Esther, Maria Rita Leal, Luís Humberto, Climério Ferreira… Adoraria rever todos vocês. Ouví-los, abraçá-los. Saudade.”

Brasília DF Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul TT foto fotos retrato Clodo Climério Clésio Carla e Luciana Giles Antunez de Mayolo departamento história TV telejornalismo comunicação FAC jornalista Adriana Paiva

+ Ainda Brasília – Celebrações outras: O aniversário de 54 anos e o de 53.  

Afetos cariocas

 

O Parque Lage, a EAV

 

EAV - Oficina

Cavalariças : Oficina de escultura, 8 de janeiro de 2016

Estive no Parque Lage, na sexta-feira (8), entre outros motivos, em busca de informações sobre cursos. Ao encontrar a secretaria fechada – algo que não recordo que ocorresse nos janeiros em que fui aluna da Escola de Artes Visuais -, acabei estendendo minha visita, com uma passada pelas cavalariças e uma pausa para bebericos no Plage Café.
Sobre a crise pela qual vem passando a Escola, escrevi, dias depois, no Facebook – com a deixa de uma reportagem publicada na Folha de S.Paulo :

Em momento algum das minhas idas e voltas ao Rio a EAV do Parque Lage deixou de ser, entre as instituições cariocas, aquela pela qual tenho o maior dos apreços. Minha mãe foi aluna de lá, no final da década de 70. Eu vim a ser, alguns anos depois – tendo feito, em períodos diversos, cursos de teatro, serigrafia e fotografia.
Daí que acompanhe com apreensão o desenrolar dessa crise. Não deixo de admirar, contudo, a postura com que a direção da escola se coloca frente a ela. Avaliando possibilidades e mesmo concebendo realizar cortes, aqui e ali. Mas também quer me parecer, sem abertura para concessões que impliquem prejuízo à missão ou ao histórico da EAV. Dias melhores hão de vir.

Nesse mesmo Facebook, encontrei a foto, junto às recordações – escritas em novembro de 2009…

Escola de Artes Visuais EAV Parque Lage

Comecei a frequentar o Parque Lage quando tinha por volta de nove anos. Nessa época, minha mãe fazia diversos cursos na EAV. De alguns deles — como o de escultura — eu e minha irmã (três anos mais nova) fomos, por assim dizer, espectadoras ativas. Assistíamos às aulas, nos lambuzávamos de argila e, de quebra, levávamos para casa nossas criações. Agora, o que “cobiçávamos” mesmo eram as aulas de “modelo vivo”. Como quaisquer crianças com nossas idades, tínhamos curiosidade sobre a nudez. Mas é claro que não nos era permitida a entrada. Assim, postávamo-nos sob um desses janelões, detrás de onde aconteciam as aulas e nos espichávamos o máximo que podíamos para tentar ver o que rolava lá dentro. Guardo na memória que uma dessas modelos era atendente na lanchonete da EAV . E continuou a ser, anos depois, quando ingressei na escola como aluna. Primeiro de serigrafia; depois, de teatro e de fotografia.

Outras do inverno carioca

 

E de um domingo que se pretendia preguiçoso

Via meu perfil no Facebook

Condomínio Novo Leblon

Vista da varanda de casa: Clube do condomínio, Lagoa de Marapendi e o mar

Agora, deste lado da cidade, temos sol, céu limpo e estupefacientes 27°C. Mais cedo, à beira-mar, eram 18°C !
O vento gélido destas manhãs ensolaradas quase sempre me lembra uma certa fase de minha infância em Brasília, época em que ainda era possível dizer que se sentia frio no inverno. Frequentemente, aquele tipo de frio energético, que entra pelas narinas espantando o sono e que, mal bate na pele, o sol logo amorna. E, hoje, que meus planos de ficar mais tempo na cama foram cedo detonados por Bob, o poodle, esse solzinho matinal veio bastante a calhar. #invernocarioca

Os sempre surpreendentes dias invernais no RJ, inspiram, a propósito, reportagem de capa da revista O Globo.


Dos arquivos

Especial ‘Arrumações de final de ano’

Leituras dominicais d’antanho

Clique sobre a imagem para ampliá-la

As Cobras LFV no JB

As Cobras: Luís Fernando Veríssimo para revista do JB


Eis que relembro da colecionadora contumaz que um dia fui. Fui, pretérito a fórceps, graças ao inevitável aprendizado de perdas, entre uma mudança e outra. Enfim, mas gostei muito de encontrar, em meio a dezenas de pastas, a minha pequena coleção de tirinhas “As Cobras”.
Em uma das fases em que morei em Brasília e vinha ao Rio passar férias na casa de meus avós, a revista Domingo, do Jornal do Brasil, esteve entre as publicações que eu mais ansiosamente aguardava. Quase tão esperadas quanto eram as tirinhas do Veríssimo, que eu cuidadosamente recortava (em geral, datando-as) e acondicionava em pastas. Já a minha coleção de programas e cartazes de teatro…não tenho a mais vaga ideia em qual mudança de casa/cidade eu a perdi.

Encontro com o poeta

 

Postado, originalmente, no Instagram

 

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Manoel de Barros: Conversa com futuras jornalistas

Campo Grande (MS). Maio de 1992. De uma tarde na casa de Manoel de Barros, em companhia de amigas – estudantes de jornalismo, como também eu àquela altura. A qualidade da foto original é sofrível. Os negativos e as ampliações das outras imagens que registrei na ocasião, lamentavelmente, perderam-se em uma de minhas muitas mudanças. Guardo este registro, entretanto, como uma vívida lembrança de horas de animada conversa com o poeta.

Saudade das cartas manuscritas

Lembranças de amigos que fiz país afora

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De Belém para Brasília. Pelos Correios

Encontrei, há algum tempo, em meio à minha papelada afetiva e achei que fazia sentido escanear. Carta e cartão postal vindos de Belém, em dois momentos daquele 1987, ano em que eu voltava a morar em Brasília.
No cartão, os dizeres: “Ainda não houve tempo para ver a exposição, mas são eles a expressão atual da fotografia paraense.” Impressos os nomes : Abdias Pinheiro, Ana Catarina, Elza Lima, Jorane Castro, Mariano Klautau Filho, Miguel Chikaoka, Octávio Cardoso, Patrick Pardini, Paulo Ribeiro, Rosário Lima.

Minha homenagem ao mestre do flamenco

Via Facebook

PACO DE LUCÍA está inscrito no rol de minhas grandes paixões juvenis. E sempre me remeterá à época de ter vinte e poucos anos e ainda estar tão entusiasmada pela Antropologia. Ou à descabida pretensão de emulá-lo em meu humilde Di Giorgio 28, entre uma e outra aula de violão. Paco de Lucía parte jovem demais.

 

Dos caminhos que já percorri

 

Antes de Osho era Bhagwan S. Rajneesh

Post publicado, originalmente, no Facebook

De macrobiótica a vegetariana - Meditação ioga alimentação natural estilo de vida vegetariano

Meu sannyas (Ma Shanti Adriana): Do sânscrito: “Ma” = consciência ; “Shanti” = paz

Acima, parte da carta, chegada do Rajneeshpuram, no Oregon (EUA), com o meu nome de sannyasin. Queria achar o resto do conteúdo do envelope. Lembro que trazia um bonito poema.Já contei, en passant, essa história aqui. A revirada no baú foi motivada por esta matéria de O Globo.

Comecei a meditar por volta dos 16 anos; um pouco depois de deixar de comer carne e imediatamente antes de entrar para a seita do Rajneesh. Pratiquei muita “Nataraj” na época em que frequentei o ashram da Paula Matos, em Santa Teresa. Depois, saindo da seita, e com as tantas mudanças de cidade, acabei deixando de meditar, mas vivo cogitando retomar. Sempre no encalço de fórmulas para combater a ansiedade e minha natural tendência à melancolia. Preciso dizer que, com esses mesmos propósitos, também experimento ótimos efeitos com dança, corrida e natação. O que não quer dizer que meditação esteja fora de minha lista de atividades a serem retomadas em 2014.

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Porque hoje é Dia das Crianças

Recorte de álbum de família – Via Facebook

clube militar clubes militares filhos Adriana Ana Cristina pais filhas Arita Antonio Augusto nado natação oficiais Exército Cavalaria Lagoa Jardim Botânico Rio de Janeiro

Naninha e Tininha: Dois de nossos apelidos

 

Eu e minha irmã, duas “creonças pegando fogo no clube” — para tirar do baú expressões com que se referiam a nós naquela época. Foi numa dessas piscinas que eu aprendi a nadar. A foto foi feita em algum momento anterior à nossa primeira mudança para Brasília, em 1975. Depois dessa, foram mais quatro as vezes em que fomos morar na capital federal.

 

Inspirada pela visita do Papa Francisco

 

Do meu perfil no Facebook

Parati - Centro histórico de Paraty

Paraty ao entardecer: Na imagem, a Igreja de Santa Rita de Cássia


Posso dizer que até as vésperas de entrar na adolescência fui criada dentro dos princípios do catolicismo. Quer dizer, “criada”, em termos, já que nem Primeira Comunhão eu quis fazer. Para tremendo desgosto de minha avó, aliás, com quem aprendi todas as orações básicas. Meus pais, ambos nascidos em 1945, não são, exatamente, pessoas liberais, mas também nunca me impediram de fazer o que julgo terem sido as minhas mais importantes escolhas. Foi assim, por exemplo, com meu desejo de não cursar catecismo e, consequentemente, estar apta a fazer a Primeira Comunhão. E foi assim também quando, aos 16, 17 anos, resolvi pedir o “sannyas”, ingressar na seita do Bhagwan Shree Rajneesh (atualmente conhecido como Osho) e, para tal (por ser menor), precisei da assinatura deles no documento que seria enviado à Poona, Índia. Aceita como discípula, mudei de nome (para Ma Shanti Adriana) e passei a me vestir (apenas) com cores derivadas do vermelho. Isso tudo, vejam bem, ainda adolescente e vivendo sob o mesmo teto que meus pais e minha irmã.

De lá para cá, experimentei outros tantos credos, desilusões em quase igual medida e, hoje, não professo qualquer religião. Mas bem gostaria de ter apenas uma fagulha da fé desses peregrinos que passaram pelo Rio de Janeiro nos últimos dias.

 

 

Ainda recuerdos

 

Com a deixa de uma ‘missão fotográfica’

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trânsito brasiliense Revista do Correio - Desafio Instagram

Brasília, 53 anos: Símbolo do trânsito brasiliense serve de mote a desafio fotográfico

#Desafiotesourinha — Embora o tema do desafio não tenha me soado dos mais inspiradores, sei que houve muita gente que fez bonito. À maneira de outros que aprenderam a dirigir em Brasília, minha relação com as tesourinhas típicas do trânsito de lá é de amor e ódio. Certeza absoluta de que foram elas que retardaram um pouco mais a emissão da minha carteira de motorista. Por outro lado, reconheçamos, quem aprende controle de embreagem ali, nunca mais vacila diante de barranco.

>> Imagem extraída do perfil da Revista do Correio, no Instagram.


 

Recuerdos digitalizados

Ou : Sobre o que você cogitava fazer, mas não fez

Família japonesa coral coro corais da Universidade de Brasília Núcleo de Estudos Asiáticos NEASIA UnB DF Departamento de Letras Adri Adoriana Paiba coralista Nihongo nipofilia cultura japonesa desenho ilustração ilustra ilustras japonês das aulas na UnB de Alice Tamie Joko e do Instituto Brasil-Japão

Encontrei o acima em uma de minhas muitas pastas de papéis e resolvi digitalizar

Rabiscos, com caneta esferográfica, que eu fazia durante alguma aula da UnB, já nos estertores da minha fase de fixação nipônica. A essa altura, já eram quase todas páginas viradas : os dias de habitué do templo budista da 316 Sul, minha experiência como mezzo-soprano no coral Tanoshii Tori (‘Pássaro Alegre’, no idioma do país do sol nascente), meus 4 ou 5 semestres de cultura e língua japonesas e as aulas de sumi-e e ikebana.

Estávamos em 1993. E embora meus devaneios sobre uma vida no Japão já não fossem mais tão coloridos (ou presentes) quanto na época em que eu ingressara no curso de Antropologia, meu namoro com o design e a ilustração seguia firme. Desde então, mesmo eu não tendo me empenhado em aprender a desenhar, a paixão pelo assunto em nada arrefeceu.

Ilustração por Adriana Paiva ©

Outros vinte

Acabo de publicar no meu perfil do Facebook

juventude estudantes secundaristas universitários ruas protestos manifestações
“Fora, Collor”: Manifestação de estudantes no centro da capital sul-matogrossense

Lembrando que, há exatos vinte anos e um dia, em 29/9/1992, tinha início o processo que culminaria no impeachment do então presidente da República, Fernando Collor de Mello. E eu estava lá, entre os caras-pintadas, jovenzinha e transbordante de otimismo.

 

Mas ela é carioca …

 

Das consequências de deixar de ser turista na própria cidade

 

Placas no entorno do Largo da Carioca

Explorações citadinas: Placas no entorno do Largo da Carioca

Agora, que no Rio tenho usado Metrô com uma certa regularidade, volta e meia esbarro nesse tipo de problema.
Outro dia, quis sair do Centro rumo à Tijuca e só fiquei sabendo que no mesmo lado da plataforma passavam trens com destinos diferentes quando já me dava por perdida em estação nada a ver com a pretendida.
Graças a um desses solícitos conterrâneos pude saber que a informação que me interessava encontrava-se num luminoso acima da porta dos trens. 
Imagine por que agruras não passam aqueles que dominam pouco mais que os rudimentos do nosso idioma.

É possível que eu ainda me perca assim por pautar-me pela época em que vinha passar férias na casa de meus avós, nos idos dos 90. Com menos linhas e trens era tudo, obviamente, mais simples para uma forasteira sazonal, como eu até há pouco tempo fui.

 

Fumando (já não) espero

 

Com as deixas de uma crônica, um livro e algumas reportagens

 

Mad Men

Mad Men (HBO): Joan Holloway, personagem que, na série de TV, é interpretada pela atriz Christina Hendricks

Também eu já me vi inebriada por essa aura de glamour que o hábito de fumar, há não muito tempo, ainda desfrutava. Fumei, aproximadamente, entre os 16 e os 26 anos. A despeito de uma bronquite asmática, apesar da barulhenta oposição de meus pais — na frente de quem, a propósito. nunca ousei acender um cigarro.

Um belo dia, exatamente aos 26, em meio a preocupações típicas de uma mulher à beira dos 30 e sentindo que precisava de “fôlego” para dedicar-me às atividades que me davam prazer, me estabeleci: é hoje que abandono o vício. E assim foi. Taurina e compromissadamente. Numa boa, sem recaídas.
Minha irmã nunca fumou. Meu pai abandonou o hábito há alguns anos. Minha mãe, embora hoje fume menos do que já fumou, ainda é fonte de preocupação para todos nós. Lendo, dias atrás, a crônica da Cora Rónai, fiquei bastante tentada a adquirir olivro comentado. Não sou dada a policiar os hábitos alheios, mas quem sabe se, munida dos argumentos do jornalista Giacomo Papi, não logro convencer quem precisa ser convencido?

Sobre esse assunto (tabagismo), tão elucidativa (quanto alentadora) a reportagem publicada, domingo, na versão impressa de O Globo — primeira parte no site.

Instagram – Fotodiário

 
Acessório para registros nas cidades

 
Barra da Tijuca

Praia da Barra da Tijuca com feições de antanho: Primeiras inscursões

 

Nunca pensei que me renderia ao Instagram. Considerando-se o fato de que antes de ser jornalista (e quase antropóloga), cheguei a pensar que faria carreira como fotógrafa, é de se esperar que o brinquedinho não entusiasme assim, logo de cara. Para que se entenda, faço um ligeiro retrospecto: fotografo regularmente desde os 17 anos. Ou seja, desde que fiz um curso na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e (por ter passado no vestibular) ganhei de meu pai e de minha avó um laboratório PB e uma câmera Canon semi-profissional. A partir daí e entre uma bolsa do CNPq de pesquisa em antropologia visual e o estágio como fotógrafa em dois jornais, não parei mais de fotografar. Apenas a compreensão de que não quereria fazê-lo profissionalmente é que demorou a acontecer.

Voltando ao Instagram : assumindo-se, de um lado, o que há de diletante no uso de uma câmera de celular e, de outro, enxergando-se seu valor como ferramenta cheia de limitações, a pergunta que se coloca é: por que não ?
Assim, a partir de agora, usarei o aplicativo como acessório adicional ao que aqui já funciona como um “diário fotográfico”. Para quem pretenda me seguir também por lá minha ID é @ drixpaiva.

 

+ Instagramadas

 

graffiti em Ipanema by Marcelo Ment e cia.

Grafite na Farme de Amoedo: Arte por Marcelo Ment, Ottis, entre outros.

Praia do Pepe - Barra

Na Praia do Pepê, aproveitando breve aparição do sol.

Praia da Barra - Outono 2012
A luz vespertina dos dias outonais é ótima, a propósito, para explorar texturas.

Sábado no Leblon Botafogo

Na Delfim Moreira, celular em punho: Ousando aproximações.


Fotos por Adriana Paiva ©

 

 

* Ao calouro, com amor

 

Esplanada dos Ministérios

Esplanada dos Ministérios: Transitando por ruas onde também eu aprendi a dirigir

Em Brasília, na semana passada, à saída do Palácio do Planalto, onde estivemos, eu e minha mãe, para ver a exposição “Mulheres, Artistas e Brasileiras“. Fomos conduzidas pelo meu sobrinho Tiago, recém-matriculado no curso de Engenharia da UnB, e titular (também recente) da Carteira Nacional de Habilitação – licença à qual esta sua madrinha espera que ele continue prudentemente a fazer jus.

Das inevitáveis coincidências: como meu sobrinho, também tirei minha carteira de motorista em Brasília. E foi, igualmente, nessa mesma UnB que se deu a maior parte de minha trajetória acadêmica.

* ( Post originalmente publicado em meu perfil no Facebook ).