Como na Era Pré-Facebook

 

Ainda as notícias do clã

E, dessa feita, sobre dois de seus mais irrequietos integrantes

Família sobrinho afilhado primo primeiro grau primos Thiago primo-irmão primos-irmãos cidadão passaporte europeu português cidadania portuguesa de Portugal European citizen União Europeia UE portuguese citizenship portugueses descendentes europeus dupla nacionalidade cidadania Leão de Prata Cannes Ilhas Mentawai Islands surf surfistas Bali Indonesia esporte esportes aquáticos radicais surfe Indonésia Dusseldorf Alemanha Europa climbing climbers escalada Rio Morro da Urca

Álbuns de família: Tiago, meu sobrinho, no auge de sua paixão por escalada. Thiago, meu primo, surfando na Indonésia

De um lado, Tiago L. de Paiva D. da Fonseca, meu sobrinho-afilhado – filho mais velho de minha única irmã. De outro, Thiago Di Gregorio Paiva, o filho mais novo do irmão de meu pai – meu primo de primeiro grau, portanto.
Com o espaço de mais ou menos quinze dias, entre um evento e outro, fiquei sabendo que meu primo, diretor de arte da BBDO Proximity, em Düsseldorf (onde mora, atualmente), faturava dois Leões de Prata no Festival de Publicidade de Cannes, e que meu sobrinho, recém-chegado em Santiago para o Start-up Chile, recebia, juntamente com colegas de faculdade, as boas-vindas de Luís Céspedes, Ministro de Economía, Fomento y Turismo, na cerimônia de abertura do programa, na Universidad de San Sebastián. É claro que vibrei. E exultei, quase tanto, com a notícia de que Tiago, não só já encontrara apartamento para morar, como já vinha deslocando-se para as reuniões de trabalho por meio de bicicleta.
Curioso o modo como, por eu estar fora do Facebook há meses – e por ainda ser um tanto reticente em relação ao WhatsApp – passei a receber (e, sobretudo, a curtir) as notícias referentes à minha família. Sensação de resgate de um certo sabor na comunicação que os excessos típicos das redes sociais já me tinham feito esquecer.

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Chile

Em tempo: Sobre o Start-up Chile, programa do qual meu sobrinho Tiago, estudante de Engenharia da Computação na PUCPR, participa com a UNiO, empresa criada com colegas de faculdade, reportagem publicada em 18/7, no jornal chileno La Tercera. 

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Desconectados. Com muito prazer

Matéria de minha autoria. Para a Revista da Cultura

Edição 99 / Outubro de 2015

 

matéria texto escrita por reportagem da jornalista Adriana Paiva matérias jornalismo ilustrações reportagens

Reportagem e texto por Adriana Paiva. Ilustrações de João Montanaro.

Eles ficam tão bem longe de seus telefones celulares e sem internet que é comum serem vistos como excêntricos. Mas, atentos às consequências da hiperconectividade, o que eles buscam é o uso consciente das vantagens do mundo digital.  Para ler a reportagem na íntegra >> clique aqui.

Desligou o vozerio e foi ao cinema

 Sobre dar um tempo nas redes sociais

Vozes da multidão

Até onde consigo lembrar, esta deve ser a quinta vez em que desativo minha conta no Facebook. Se, em todas as vezes anteriores, o intuito principal era me afastar de distrações, agora, o motivo não é menos premente: manter distância de tudo aquilo que me traga aborrecimento sem uma equivalente contrapartida em termos de prazer. Em todos os ensejos em que saí da rede social, temporariamente, ou eu tinha trabalhos a entregar e lidava com deadlines rigorosos, ou eu não andava muito bem de saúde.

Ao contrário das outras saídas, no entanto, esta tem desencadeado uma série de reflexões úteis. É com certo pesar que começo a admitir, por exemplo, que aquela minha ideia de ter entre meus contatos — nessa rede social, especificamente — pessoas com formação, temperamento e filosofia de vida diversos dos meus já não me parece tão interessante (ou tranquila) quanto um dia foi. Suponho que seja natural que, depois de uma certa idade, passemos a nos questionar se não seria mais adequado (saudável, sobretudo) buscar uma aproximação maior daqueles que pensam de maneira afim à nossa. 

Falando ainda em Facebook: utimamente, o que vinha sobressaindo ali, para mim, eram os ânimos acirrados por motivação política e a postura dos que têm opinião formada sobre todos os assuntos e precisam ter sempre a última palavra acerca de cada um deles. Dito de outro modo, o falatório estridente, a verborragia oca. E tudo isso, quando não me exaspera às raias do insalubre, apenas me entedia e cansa.
Como acontecia, aliás, na época das listas de discussão. Recordo do dia, a propósito – ali, por volta do início dos anos 2000 -, em que me descadastrei da primeira das dezenas de listas das quais então participava. Nossa! Que prazer maravilhoso e nunca experimentado era aquele? Tão libertadora foi a atitude que, depois do abandono dessa lista, como que em efeito ‘frenesi-dominó’, acabei me desinscrevendo de todas as outras. A Internet, se me revelava ali, não era o melhor lugar para o embate de ideias.
 

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Mas voltando ao Facebook, quer ver situação que também decepciona? Descobrir que os tipos humanos que por ali transitam, com seus dedos em riste, podem ser – mais facilmente do que eu quereria admitir – divididos em categorias.
Comecemos pelos antipetistas monocórdicos, aqueles que colecionam erros pregressos e presentes de Lula, Dilma e correligionários, para incansáveis postagens diárias, sempre, é claro, embebidas em muita virulência. Não nego que acertem em várias de suas críticas, mas falta-lhes mínimas compostura e elegância ao externá-las; isso quando não lhes falta, acima de tudo, humanidade.

Mantendo uma linha equânime em minhas elucubrações, não poderia deixar de citar uma outra espécie, também com muitos exemplares na rede social, a dos petistas-avestruzes. Esses parecem viver em um universo paralelo, onde as conclusões do Mensalão e da Lava-Jato não passam de um complô burguês amplificado por uma entidade obscura a que eles costumam chamar de PIG — Partido da Imprensa Golpista. Nesse planeta, de ofuscante cor rubra, os assaltos a Petrobras nunca ocorreram, nem vultosas quantias foram desviadas para financiamento de projetos de poder.

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Neste ponto, vou preferir deixar a sempre espinhosa seara da militância política em redes sociais para passar àqueles personagens, digamos, com preocupações mais mundanas. Farei-o com uma homenagem aos alucinados por “torrents”. Esses, se formos analisar friamente, também têm seu quê de militantes, uma vez que, ostentando hábitos sedimentados, raramente se furtam a pontificar sobre os hábitos alheios. Um exemplo: quando fazem questão de deixar claro que acham o cúmulo do desperdício você pagar pela assinatura de “centenas” de canais de TV a cabo, quando poderia, simplesmente, baixar “na faixa”, os filmes e séries “de fato, essenciais”.

Barbaridade. Três categorias listadas e já estou exaurida. Você, que me leu até aqui, certamente dirá que acha terrível “reduzir” seres humanos dessa maneira. E eu vou concordar. Mesmo sabendo que há quem mais facilmente se preste a essas reduções.
Quer me parecer, entretanto, que está claro que o que aqui escrevo é um desabafo. Menos evidente, talvez, seja o fato de que as críticas que faço têm como principal alvo os ferozes inimigos das nuances e dos meios-termos. Os radicais, em suma.

Avalio voltar ao Facebook uma hora dessas. Afinal, também mantenho ali contato com gente de quem gosto muito. Mas espero que, ao voltar, esteja apta a me estressar menos do que me estressei até outro dia.

 

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