Geografia de afetos

Entre as andanças, a troca de cartas

E por que mesmo 5 vezes Brasília?

Dedicada às costumeiras arrumações de final de ano, lembro, com alegria, que, diferentemente dos cartazes e programas de teatro, que vi serem extraviados em meio às nossas mudanças de cidade, parte preciosa de meus arquivos epistolares segue cuidadosamente armazenada.
Vários desses cartões, cartas, telegramas (e envelopes) já estavam escaneados havia algum tempo – previdente que às vezes sou. Cheguei, aliás, a publicar algumas reproduções no Periplus, no início dos anos 2000.

Correios - Exército comando papai meu pai Antonio Augusto Abreu Paiva Turma Humaitá AMAN 68 1968 Apartamentos na 209 Sul na 112 Sul e na 103 Norte Do Pará e do Mato Grosso do Sul Débora Sena Amambai MS Paraguai 17° RC Regimento de Cavalaria Fukumi Ikeda nissei Amazonia Belém Pará Mariliz Romero comandou comandos 18° Batalhão Logístico Blog MS filha filhos de militar Forças Armadas militares Ensino escolas colégios particulares estudei estudos Primeiro Segundo Grau Adriana Ana Cristina Escola Marista Integral La Salle Colégio Eduardo Guimarães educação

Pelo correio. Para 3 de meus endereços em Brasília: Cartão de Natal enviado de Amambai (MS) por Débora, amiga (e ex-vizinha de vila militar) que me conhece desde criança – nessa época, eu morava na 209 Sul. Em 1989, quando residíamos na 112 Sul, cartão de Ikeda-san, colega de minha irmã nos tempos de Colégio Marista (em Belém), acabou virando amiga de nós duas;  e na 103 Norte, em 1993, remessa da amiga Mariliz, que conheci em Campo Grande (MS).

Passando os olhos por toda essa correspondência, veio batucar um assunto sobre o qual já falei aqui en passant: por que, afinal, depois daquela primeira vez, voltamos a morar em Brasília em outras quatro ocasiões?
Chamei meu pai  para conversar. Sabia das razões, em linhas gerais, mas queria ouvi-lo falar dos detalhes. Segundo ele, a prioridade era que eu e minha irmã tivéssemos a melhor formação escolar possível – estudamos, de fato, em ótimos colégios – e crescêssemos numa cidade segura e tranquila – o que Brasília de certa forma foi, em nossos tempos de infância e pré-adolescência. Junto a isso, pesou o fato de que, para lá também costumavam pleitear retorno os seus amigos mais próximos. Muitos dos quais conviveram com ele ainda antes de seu ingresso na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Confesso que, nesse aspecto, tenho uma certa inveja de meus pais. Boa parte daquelas amizades que eles começaram a cultivar na juventude eles preservam até hoje.
Já eu, certamente por ser mais introvertida (e por ter feito tantas escolhas heterodoxas), vi, ao longo dos anos, muitos dos meus laços de amizade se afrouxarem e se perderem pelo caminho. Perdi, por exemplo, boa parte de meus contatos de Belém e de Olinda. Em contrapartida, ainda mantenho ligação com várias das pessoas com quem convivi no Mato Grosso do Sul e em Brasília e com outros filhos de militar que, como eu, também não eram muito de frequentar o meio.
Admito que, se o grau de intimidade com algumas dessas pessoas variou tanto ao longo dos anos, talvez tenha faltado mais investimento de minha parte, no sentido de criar as situações para revê-las.

No caso de meus pais, as circunstâncias para manter as relações aquecidas parecem estar sempre se renovando, vide a penca de reuniões – sob motivações as mais variadas – das quais eles participam a cada ano.
Eles me contam histórias curiosas sobre esses eventos. De um desses encontros anuais, a propósito, o do Colégio Militar (que meu pai cursou parte em BH, parte no Rio) costuma participar o Fernando Bicudo, de quem creio ter ouvido falar pela primeira vez na década de 1990, por sua atuação como diretor e produtor teatral.
Dessa turma deles, relata meu pai, outros desistiram da carreira militar e incursionaram por diferentes profissões – casos do cantor Ivan Lins e do falecido ator Luiz Armando Queiroz.

Piraquê Lagoa - Reunião anual do Colégio Militar Turma 1958 1964 . Filha, filhos de militar, Turma do meu pai, CMRJ, Belo Horizonte, Humaitá, militares, Coronel, General, coronéis e generais, Heleno, Esper, Arthur Souza, Fernando Bicudo, partido Novo, filho, Montanha, oficiais superiores, Exército, Cavalaria, colegas da AMAN, Academia Militar das Agulhas Negras, Rio de Janeiro,

Reuniões anuais da turma de meu pai no CMRJ: na foto do alto, comemoração no Clube Piraquê, em 2014. Acima, reunião de 2016; segurando a bandeira, no centro da imagem, Fernando Bicudo

Voltando àquele meu esforço de reaver e manter afetos, é claro que, à maneira do que ocorreu com muita gente que conheço, as redes sociais (primeiro o Orkut, depois o Facebook) cumpriram seu papel nesse propósito. Mas, fale eu de amizade ou do valor que dou à interlocução, jamais hei de esquecer que, muito antes delas, havia o ritual da troca de missivas.

Recortes da Rio 2016

 

Ciclismo de estrada — Bem perto de casa

Domingo, 7 de agosto

Vizinhança no Novo Leblon

Do Instagram – Praia da Reserva: Passagem das atletas da prova feminina de ciclismo de estrada, cuja largada aconteceu no Forte de Copacabana, pouco depois do meio-dia. No sábado, com o dia ensolarado, o público que foi até a orla para assistir à prova masculina era consideravelmente maior.

 

Ainda na Praia da Reserva

 

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Acima, homens da Força Nacional aguardando o retorno das ciclistas, que, nesse momento, aproximavam-se da Prainha. Ao fundo, o condomínio onde moro, o Novo Leblon.

Além de curiosos que passavam pela região, também aglomeraram-se por ali fiscais da prova, voluntários, e, no quiosque onde me posicionei para fazer fotos, alguns moradores dos condomínios vizinhos – vindos, entre outros,  do Novo Leblon, do Mandala e do Sundeck.

E lá vêm elas

Ciclismo feminino - Volta do Grumari

Instagram II : E aí as ciclistas voltando do Grumari em direção àquele mesmo ponto de largada, no Forte de Copacabana. No grupo, atletas da Suécia, Holanda, Austrália, do Azerbaijão e, representando o Brasil, a carioca Flavia Oliveira, que terminou a prova em sétimo lugar, marcando uma conquista inédita para o país.

 

Brasília em preto e branco

 

Via Instagram

 

Centro do Plano Piloto

Plataforma Rodoviária, o centro do Plano Piloto, e seus múltiplos apelos visuais. Lembro que meu primeiríssimo ensaio para uma disciplina de fotografia, na UnB, saiu desse pedaço da cidade. Tendo morado em duas quadras da Asa Norte (102 e 103) e em outras duas na Asa Sul (209 e 112), fato é que quase nunca passei por aí indiferente ao que ocorria no entorno… #bsbnotas.

museus DF avenidas ruas brasilienses Esplanada dos Ministérios Museu República Honestino Guimarães

E há essa Brasília que sempre me surpreende. Registro de viagem feita em 2011.

STF Supremo Tribunal Federal Justiça arquitetura Niemeyer

Para fechar mais uma série #bsbnotas. Supremo Tribunal Federal. Diante do prédio projetado por Oscar Niemeyer, “A Justiça”, escultura em granito de Alfredo Ceschiatti.

 

 

Sobre o cinza dos dias

 

De uma escala no Instagram

 

Clima Praia da Barra - Posto 8 - HBO

Barra da Tijuca, Posto 8


Eu e minha família deixamos o Rio em 1985 e fomos morar em Belém. Entre aquela mudança e as muitas escalas que a ela se seguiram (de Campo Grande a Brasília, passando por Olinda e SP), até minha volta a terras cariocas, em 2008, já tive tempo suficiente para ver sedimentada uma certeza: o cinza daquelas plagas não me afeta como o de cá. Com que força detesto esses dias mormacentos que abrem a primavera e se impõem sobre outubro.

 

A soma de todas as insatisfações

 

E outro tanto de circo e carnaval

De uma ida ao centro do Rio e a surpresa de encontrar uma manifestação no meio do caminho

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Escadaria da Câmara Municipal do Rio: Reivindicações legítimas e exibicionismo

Ontem (24/6), no meio da tarde, passei pela frente do CCJF (fechado às segundas-feiras) e encontrei as portas e janelas cobertas por tábuas. No portão, perguntei ao guarda se as manifestações haviam deixado muitos prejuízos. Ele me disse que não e que a medida dos tapumes era apenas precaução, já que o prédio tem grande valor histórico e havia rumores de que uma nova manifestação aconteceria dali a pouco. Sem perceber na circunvizinhança nenhum movimento que sugerisse que haveria mesmo alguma manifestação por ali (depois soube que os manifestantes estavam na Candelária), atravessei a Rio Branco em direção à Livraria Cultura, que também já começava a baixar portas – a exemplo de boa parte do comércio das redondezas. Fiquei pouco tempo por lá. De volta à Praça Floriano, resolvi sentar no Amarelinho para tomar alguma coisa. Aí eram perto de cinco e meia da tarde. Paguei a conta e me levantei para pegar o Metrô. No que me encaminho à estação, olho para a direção do Theatro Municipal e vejo dois grupos de PMs ladeando-o em cada uma das esquinas. Claro que desisti de voltar pra casa. Do contingente de policiais multiplicar-se à chegada de hordas de fotógrafos, foi um pulo. Quando olhei em torno, a Avenida Rio Branco já estava fechada ao trânsito e a Cinelândia lotada. Segundo estimativas da Polícia Militar do Rio de Janeiro, estiveram na manifestação cerca de 2 mil pessoas.

>> Veja outras imagens no meu perfil, no Facebook.


Da Brasília que aprendi a ver ainda em criança

 

Minha singela homenagem ao poeta da curva

 

Museu Nacional de Brasília. Foto por Adriana Paiva

“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível
criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que
encontro nas montanhas do meu país, na mulher preferida, nas nuvens do
céu, nas ondas do mar. De curvas é feito todo o universo. O universo curvo
de Einstein”.  (Oscar Niemeyer: * 15/12/1907 – + 05/12/2012)”

|| Na foto, o Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília, projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer e inaugurado em dezembro de 2006.

 

Adri nas Cidades – Notas de uma jornalista em andanças por aí

O blog:

Adri nas Cidades – Notas de uma jornalista em andanças por aí

O título do blog é, como se nota, uma referência direta ao filme de Wim Wenders, Alice nas Cidades. Mas, sobretudo, uma brincadeira com minha vida de frequentes deslocamentos. Até a véspera de completar 25 anos, minha média de tempo morando em uma cidade foi de um ano e meio. Entre meu nascimento e um pouco depois desse ponto, as cidades se sucederam: Rio de Janeiro, Santiago, Brasília, Amambai, Belém, Campo Grande, Olinda, São Paulo…
Para lá das inevitáveis reminiscências, a proposta aqui é também trazer dos lugares por onde circulo informações sobre lazer, cultura e serviços diversos.
Nos meus blogs Periplus (criado em 2002), Em Trânsito e Foco Seletivo (como também no Facebook e neste Flickr), compartilhei, esporádica e informalmente, experiências de fruição artístico-cultural e de consumo. Aqui, entretanto, a ideia é manter um ritmo regular de publicação — com notas, geralmente ilustradas, sobre os mais variados assuntos.
Entre uma e outra experiência compartilhada, também publico neste espaço crônicas e amostras de meu trabalho como jornalista.

A autora:

Adriana Paiva é jornalista com dupla nacionalidade (brasileira e portuguesa).

Antes de estudar Jornalismo, na Universidade de Brasília (UnB), cursou Cinema e Antropologia, nessa mesma instituição.
Morou de Sul a Norte do Brasil — de Santiago, terra de Caio Fernando Abreu, a Belém do Pará, cidade que lhe apresentou ao açaí e ao guaraná em pó — a essa altura, já havia deixado de comer carne (decisão tomada aos 15 anos de idade). Entre um e outro novo destino, sentou moradia cinco vezes em Brasília. Depois de uma década residindo em São Paulo, onde cofundou e dirigiu uma empresa de serviços jornalísticos, no final de 2008, já na condição de jornalista freelancer, voltou à sua terra natal, o Rio de Janeiro, cidade que, diariamente, ocupa-se em redescobrir.

Acesse o meu site profissional: adrianapaiva.com.br | Fale com a REDAÇÃO 

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* Textos, fotos e arte por Adriana Paiva ©. Obs.: (Nos casos em que as imagens não sejam de minha autoria, elas aparecerão devidamente creditadas).

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