Outras recordações lusas

 

Reunião dos primos Paiva

De quebra, uma lembrança primaveril

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Nas fotos, meus bisavós paternos. No alto, minha bisavó Esther em dois tempos. Abaixo, à esquerda, meu bisavô Antonio. Ela, nascida em Matosinhos; ele, em Nelas.

Na mais recente edição do tradicional almoço dos ‘Primos Paiva’, no Gula Gula do Rio Sul – do qual, dessa vez, não participei –, meu pai conta que um dos assuntos conversados foi a vinda de meu bisavô Antonio, de Nelas para o Brasil.
Meus bisavós se conheceram no Rio de Janeiro e aqui se casaram em julho de 1915. Meu avô Edmundo, o primogênito, nasceu no Rio em agosto de 1916.

No almoço dos Paivas, a prima Marly, cidadã portuguesa como nós, lembrava que o bisavô mantinha laços estreitos com a comunidade lusitana quando chegou aqui. Antes e depois de se casar com minha bisavó, ele voltou diversas vezes a Portugal.

No Rio, ambos logo se tornaram associados da Beneficência Portuguesa. E, como meu bisavô possuía uma excelente condição financeira quando chegou ao Brasil, ele acabou ajudando alguns de seus conterrâneos a também se associarem, dado que eu desconhecia. Foi na maternidade da Beneficência, a propósito, que meu pai nasceu, em agosto de 1945.
O hospital se situava no bairro da Glória. Visitei-o algumas vezes quando criança – muitos anos antes de ser adquirido pela Rede D’Or -, em ocasiões em que meus bisavós recebiam algum tratamento na instituição. Uma das memórias que ainda tenho dessas visitas é da grande escadaria de pedra da entrada e das imagens religiosas espalhadas entre as alas.

Às vezes, quando nos pomos a mexer nos álbuns de família, meu pai acaba por desfiar reminiscências saborosíssimas da convivência com os avós paternos.
Ele conta, por exemplo, que quando ainda namorava minha mãe, por quem minha bisavó nutria grande afeição, ela costumava dizer sempre que os via juntos: “cuide bem de ‘mi Toninho’”. “Mi Toninho”, ele acrescenta, passou a ser um modo corriqueiro de sua avó saudá-lo. Isso talvez explique o fato de eu ter crescido ouvindo toda essa ala da família se referir ao meu pai (Antonio Augusto) como Toninho.

Uma das lembranças que guardo carinhosamente de convívio com meus bisavós paternos é de celebrações natalinas, reunindo várias gerações de Paivas, em torno de uma mesa enorme que havia na sala da casa deles, um sobrado que nos habituamos a chamar de “casarão”.

Embora minha bisavó tenha falecido quando eu ainda era criança, eu tenho mais lembranças de convívência com ela do que com meu meu bisavô Antonio. Lembro, por exemplo, de como achava belíssimos os seus grandes olhos verdes. E como eu me encantava com alguns dos mimos que ela nos destinava, como as goiabas de uma das árvores que havia no quintal da casa deles, armazenadas em sacos de pano que ela mesma costurava, das suas inigualáveis gelatinas coloridas e dos filhoses cuja receita, vim a saber mais tarde, tinha origem na sua Matosinhos natal.
Preciso dizer, no entanto, que a versão do bolinho português que ainda hoje atiça minha memória gustativa é a que preparava minha avó Mazoca, a mãe do meu pai. Minha virginiana mais amada, vovó faria 104 anos neste 22 de setembro, chegada da primavera, como ela se alegrava em dizer.

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Dos arquivos | A família em primeiro lugar

•  Meu avô Edmundo, filho de portugueses vindos de Viseu (Nelas) e de Matosinhos • Tempos de EAV, sensibilidade artística herdada da minha mãe • Do Instagram, lembrando quando mamãe tinha aulas na EAV  •  Meu pai em 3 tempos: No Colégio Militar, na AMAN e condecorado pós-comando no MS • Em Bsb: Expo com mamãe e Tiago • Ele, o brasiliense da família • Eu, sannyasin aos 16 – e a fé dos que me educaram • Os irrequietos Thiago e Tiago • Os irmãos Antonio e Edmundo – papai e titio em início de carreira • Minha irmã volta a morar na Venezuela • Foi nas piscinas do Clube Militar da Lagoa que eu minha irmã demos nossas primeiras braçadas • Prima Marlene, primeira engenheira da Rede Globo • Na Barra como em Bsb: Nossos endereços na capital federal • Pandemia com meus pais: recebendo notícias dos queridos, mundo afora • Aquela Brasília que aprendemos a amar • Os sobrinhos e um pouco da infância em Bsb • Conforta-me pensar que Hannah chega às nossas vidas enviada por mamãe • Dos stories, o nosso amor pelos pets • Mallu, a outra Border Collie da família

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Motivos para deixar o confinamento

Em busca de soluções no comércio do entorno

Entre o Millenium, o Shopping Novo Leblon e o Rio Design Barra

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blog da Adriana Paiva livrarias cariocas lançamentos Café Severino Argumento.

Os registros acima são da tarde de 7 de julho (uma terça-feira), quando fui ao Rio Design Barra – um dos três shoppings contíguos ao Novo Leblon –, à procura de artigos que não encontrei em outras lojas do comércio local. Aproveitei que não havia muita gente circulando por lá e subi ao último piso, para sondar em que condições estavam funcionando os estabelecimentos que costumo frequentar. Em frente ao Cinépolis (fechado), a Livraria Argumento acabava de prestar atendimento a um cliente.
No meu post do Instagram sobre o assunto, falei do Gula Gula e do Adegão Português (ambos abertos), mas não comentei a surpresa de ver a Casa Graviola, um de meus restaurantes naturais preferidos nas redondezas, de portas fechadas. Liguei para a unidade da Olegário Maciel em busca de informações e uma funcionária me disse que a filial do Rio Design Barra não voltará a abrir.
Na breve passagem pelo shopping, também pude notar as medidas em acordo com os protocolos de reabertura do comércio no Rio, como funcionários medindo a temperatura de quem entra e totens com álcool em gel distribuídos pelos três pisos. Além disso, as lojas que vi pelo caminho traziam afixados em suas vitrines cartazes indicando a capacidade máxima de clientes.
Embora as precauções por parte dos comerciantes, estou certa de que ainda não é o momento de voltar a flanar por esses lugares como eu fazia antes da Covid.

Falando em livrarias e pandemia, algumas aquisições do período

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Postei a foto acima nos meus ‘stories‘ do Instagram, em maio. Ao lado da máquina de escrever Underwood que herdei de meu avô – e da agenda que minha mãe trouxe para mim, de Buenos Aires -, os livros que eu acabara de comprar pelo site da Livraria da Travessa: O que Ela Sussurra, de Noemi Jaffe, e A Vida Pela Frente, de Romain Gary – sob o pseudônimo Émile Ajar. Em uma segunda imagem, acrescentei a observação de que a entrega dos exemplares, pela transportadora Total Express, se deu antes do que eu previra.

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Itinerâncias

Chamados d’além-mar

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Meu avô Edmundo, em registros feitos entre 1935 e 1944: Filho de portugueses que se conheceram no Brasil; minha bisavó Esther era de Matosinhos, meu bisavô Antonio de Viseu (Nelas) — tive a sorte de conviver com eles durante um bom período de minha infância. Ah, sim, quando eu me entendi por gente, vovô já tinha ficado calvo


Já se vão alguns anos desde que meus primos André e Thiago, filhos do irmão de meu pai, adquiriram cidadania europeia e escolheram a Europa para viver. O fato de nossos pais serem netos de portugueses trouxe, é claro, facilidades ao processo.

Thiago, o caçula do meu tio, mudou-se para Düsseldorf em função de seu trabalho como diretor de arte em uma agência de publicidade. Foi na cidade alemã, aliás, que sua primeira filha veio ao mundo. Depois de um período vivendo nos Estados Unidos (Chicago), também por injunções profissionais, recentemente ele resolveu voltar para a Alemanha. André, o primogênito, rumou para Portugal com esposa e filhos, comprou apartamento por lá e, segundo diz o titio, não pensa em, tão cedo, voltar a morar no Brasil.

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André e Thiago em 2 tempos: o primogênito e o caçula de meu tio Edmundo

Essa facilidade em construir uma vida em cidades tão díspares é algo que, a despeito de minha própria experiência “cigana”, continua me causando admiração. No caso dos meus primos, me pergunto até que ponto o fato de eles também terem pai militar (como eu e minha irmã) não tornou as decisões ainda mais fáceis. Meu tio é oficial superior da Marinha, atualmente, na reserva.

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À esquerda: Meu pai, no 4° ano da AMAN, a caminho de São Borja (RS) ; final do curso de Cavalaria incluía partidas de polo na Argentina. Nas fotos ao lado, meu tio quando jovem oficial; navio de passagem pelo Estreito de Magalhães (Chile).

Há algum tempo experimentando a serenidade advinda de fincar raízes junto aos meus, depois de anos mudando de cidade — com mais frequência até que meus primos, enquanto titio esteve na ativa –, de repente, me vejo sondando possibilidades para algo além das fronteiras do Rio de Janeiro.

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Sobretudo porque célere

Ainda o metrô

Museu de Arte de São Paulo Lina Bo Bardi arquiteta cavaletes de vidro

Certos encantos da metrópole: Sair do MASP,  pegar o metrô até a Pinacoteca e voltar à Paulista com disposição para ainda flanar

Um leitor do blog fez a provocação e eu não me furtaria a responder: “Você fala tão bem do metrô porque não deve usar com frequência”. È vero, ultimamente, não. Ele ainda emendou: “E aposto que nunca entrou na Estação Sé perto de final de expediente”. Taí. Entrei. Pode ter sido por absoluta ignorância da multidão que encontraria em uma daquelas típicas tardes de temporal na capital paulistana. Mas entrei. Admito, é experiência para os fortes. Eu não a repetiria em sã consciência.

Sinto que minha relação com o metrô, hoje em dia, guarda certo laivo de minhas experiências de jovem universitária vindo ao Rio visitar meus avós. Com o sentido de urgência próprio de meus vinte e poucos anos, como não amar a ideia de sair de um sebo no centro da cidade, embarcar em uma estação próxima dali, e, minutos depois, já estar flanando por Botafogo? Quando vinha de férias, era principalmente meu avô quem costumava me deixar nos lugares onde eu desejava ir. Mas quando eu não podia contar com a carona dele, o metrô, frequentemente, me foi de grande serventia.

Já em São Paulo, de uns anos para cá, minhas melhores experiências com o meio de transporte têm se dado em dias em que, tendo uma agenda flexível, posso me deslocar sem muita pressa. Em uma dessas ocasiões, peguei o metrô na Paulista para ir até a Pinacoteca, dali até a Vila Madalena e, mais tarde, outro de volta à Paulista, aportando por lá com disposição para ainda flanar pelos arredores. A melhor maneira de visitar um número razoável de museus e galerias, em um mesmo dia, segue sendo essa. Mas, claro, evitando sempre os horários de rush.

A propósito ainda de ser conduzida aos locais que me interessam, com praticidade e rapidez, gostei bastante da experiência que tive, dia desses, de pegar um VLT na Parada dos Museus – ao lado do Museu de Arte do Rio -, para descer na Cinelândia, perto de onde, aliás, o ônibus exclusivo do Novo Leblon faz escala no percurso de retorno ao condomínio.

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Em tempo: A revista O Globo deste domingo traz especial sobre a Linha 4 do Metrô do Rio, com crônica de Arnaldo Bloch e ensaio fotográfico de Custódio Coimbra. Aqui: [=].

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Inspirada pela visita do Papa Francisco

 

Do meu perfil no Facebook

Parati - Centro histórico de Paraty

Paraty ao entardecer: Na imagem, a Igreja de Santa Rita de Cássia


Posso dizer que até as vésperas de entrar na adolescência fui criada dentro dos princípios do catolicismo. Quer dizer, “criada”, em termos, já que nem Primeira Comunhão eu quis fazer. Para tremendo desgosto de minha avó, aliás, com quem aprendi todas as orações básicas. Meus pais, ambos nascidos em 1945, não são, exatamente, pessoas liberais, mas também nunca me impediram de fazer o que julgo terem sido as minhas mais importantes escolhas. Foi assim, por exemplo, com meu desejo de não cursar catecismo e, consequentemente, estar apta a fazer a Primeira Comunhão. E foi assim também quando, aos 16, 17 anos, resolvi pedir o “sannyas”, ingressar na seita do Bhagwan Shree Rajneesh (atualmente conhecido como Osho) e, para tal (por ser menor), precisei da assinatura deles no documento que seria enviado à Poona, Índia. Aceita como discípula, mudei de nome (para Ma Shanti Adriana) e passei a me vestir (apenas) com cores derivadas do vermelho. Isso tudo, vejam bem, ainda adolescente e vivendo sob o mesmo teto que meus pais e minha irmã.

De lá para cá, experimentei outros tantos credos, desilusões em quase igual medida e, hoje, não professo qualquer religião. Mas bem gostaria de ter apenas uma fagulha da fé desses peregrinos que passaram pelo Rio de Janeiro nos últimos dias.